O ato historiográfico de julgar: retificação e reparação da Independência no Maranhão (1885 e 1923)
DOI:
https://doi.org/10.23927/revihgb.v.187.n.500.2026.292Resumo
Este artigo analisa dois pedidos de retificação e reparação histórica formulados no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro acerca do episódio da Independência no Maranhão. O primeiro foi apresentado por Tristão de Alencar Araripe em 1885 e o segundo por Augusto Olímpio Viveiros de Castro em 1923. A partir do diálogo com Paul Ricoeur e Reinhart Koselleck, o estudo propõe a noção de ato historiográfico de julgar como ferramenta heurística para compreender como esses autores tomaram posição diante do passado. Argumenta-se que, embora ambos buscassem corrigir interpretações consideradas injustas, cada um produziu formas distintas de julgamento historiográfico: Araripe organizou sua narrativa em torno da exemplaridade de personagens patrióticos, redistribuindo méritos na história da Independência, enquanto Viveiros de Castro deslocou o objeto do julgamento para o próprio acontecimento histórico, buscando reparar moralmente a memória dos maranhenses. Ao analisar essas duas intervenções historiográficas, o artigo evidencia como a escrita da história no IHGB envolvia não apenas a reconstrução dos fatos, mas também a produção de juízos históricos.
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Referências
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