A Constituição de 1824

Simetrias e Singularidades

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23927/revihgb.v.185.n.496.2024.217

Palavras-chave:

Constitucionalismo, representação política, direitos do homem, organização do Estado

Resumo

O constitucionalismo brasileiro foi semelhante em muitos aspectos, nos diferentes projetos apresentados no país, aos europeus e norte-americanos. Houve, assim, muitas simetrias, dos fundamentos filosóficos e científicos de um mundo governado por leis naturais, até a ideia do contrato social, a afirmação de direitos, a abolição da sociedade de ordens e a organização do Estado. Ocorreram, entretanto, singularidades ou adaptação brasileiras, como o conceito de representação política partilhada entre a Nação e o Imperador e a proposta de um Poder Moderador. Na Constituição de 1824 prevaleceu o modelo de monarquia moderada, sem
republicanismo ou regresso ao Antigo regime. Foi solução de compromisso que considerava três desafios da época da independência: a escravidão, o latifúndio e a dependência externa.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Arno Wehling, IHGB

    Professor Titular da UFRJ, Emérito da UNIRIO e Visitante das Universidades de Lisboa e do Porto. Membro da Academia Brasileira de Letras e Presidente de Honra do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Como gestor foi chefe de departamento e decano (UNIRIO e UGF) e reitor (UGF). Foi pesquisador do CNPq atuando nas áreas de História do Direito/Instituições e Teoria da História. Publicou, entre outros os livros A invenção da história – estudos sobre o historicismo; Estado, História, Memória – Varnhagen e a construção do Estado nacional; Administração portuguesa no Brasil, 1777-1808; Pensamento político e elaboração constitucional; De formigas, aranhas e abelhas – reflexões sobre o IHGB; Formação do Brasil colonial; Direito e Justiça no Brasil colonial – o tribunal da Relação do Rio de Janeiro (os dois últimos com Maria José Wehling) e Do Antigo Regime ao Constitucionalismo – a Casa da Suplicação do Brasil, 1808-1829/1833).

Referências

ALENCAR, José de. A Constituinte perante a História. In Octaciano Nogueira (org.). A Constituinte de 1823. Brasília: Senado federal, 1973.

BOBBIO, Norberto. Locke e o direito natural. Brasília: UNB, 1997.

BOBBIO, Norberto e BOVERO, Michelangelo. Sociedade e estado na filosofia política moderna. São Paulo: Brasiliense, 1987.

CONSTANT, Benjamin. Princípios de política aplicáveis a todos os governos. Rio de Janeiro: Topbooks, 2007.

DIÁRIO DA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE E LEGISLATIVA DO IMPÉRIO DO BRAZIL. Brasília: Senado federal, 1972.

FUNDO CASA DA SUPLICAÇÃO, Arquivo Nacional.

KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Rio de Janeiro: Forense, 2006.

LYNCH, Christian. A vocação sociológica do legislador: o marquês de Caravelas e a arquitetura da Constituição imperial, In Christian Lynch, Lidiane Vieira e Paulo Henrique Cassimiro. Visões da independência no pensamento político brasileiro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2024, p. 122-150.

_______________ Fundações do pensamento político brasileiro. A construção intelectual do estado no Brasil. Rio de Janeiro: Topbooks, 2024.

MELLO, Evaldo Cabral de. A outra independência. O federalismo pernambucano de 1817 a 1824, São Paulo: Editora 34, 2004.

MONTESQUIEU. De l’Ésprit des lois. In Oeuvres completes, vol. II. Paris: Gallimard, 2008.

OTTONI, Teófilo. Circular dedicada aos srs. Eleitores de senadores pela província de Minas Gerais. Rio de Janeiro: Correio Mercantil, 1860.

POCCOCK, J. G. A. The ancient constitution and the feudal law. A study of english historical thought in the seventeenth century. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

RUIZ DE AZÚA, Miguel. Catecismos políticos españoles, Madri: Comunidad de Madrid, 1989.

TOCQUEVILLE, Alexis de. L’Ancien Régime et la Révolution. Paris; Gallimard, 1964.

WEHLING, Arno. Os projetos constitucionais na época da independência – esboço de análise comparativa. In José Luís Cardoso (org.). Bicentenário da independência do Brasil. Lisboa-Rio de Janeiro: Academia das Ciências, Academia Brasileira de Letras e Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 2023/1.

_________________ A Assembleia Constituinte de 1823 – continuidade, inovação e legado. In Seminário Bicentenário da Primeira Assembleia Constituinte 1823. Brasília: SupremoTribunal Federal, 2023/2.

_________________Do Antigo Regime ao Constitucionalismo. A Casa da Suplicação do Brasil, 1808-1829/1833. Rio de Janeiro: Processo, 2024.

Downloads

Publicado

2024-12-25

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

WEHLING, Arno. A Constituição de 1824: Simetrias e Singularidades. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 185, n. 496, 2024. DOI: 10.23927/revihgb.v.185.n.496.2024.217. Disponível em: https://rihgb.emnuvens.com.br/revista/article/view/217.. Acesso em: 3 abr. 2025.