Questões de litígio entre o Piauí e o Ceará
embates pela Vila de Amarração no litoral do Piauí (1880 – 1884)
DOI:
https://doi.org/10.23927/issn.2526-1347.RIHGB.2021(485):225-252Palavras-chave:
Amarração, Litígio, Província do Piauí, Província do Ceará, Litoral do PiauíResumo
Neste artigo discutiu-se sobre a situação litigiosa ocorrida entre a província do Piauí e a do Ceará no final do século XIX no espaço correspondente, na época, à Vila de Amarração localizada no litoral piauiense e a influência política local na questão. Esta situação provocou no Senado Imperial embates entre os senadores João Lustosa da Cunha Paranaguá, senador do Piauí, e Domingos José Nogueira Jaguaribe, senador do Ceará, acerca da importância do território para suas respectivas províncias. O mote da discussão para o Piauí se pautava na condição de Amarração enquanto saída para seus produtos através da construção de um porto marítimo, necessário para o progresso da economia piauiense justificando, portanto, a proposta de trocar Amarração, pertencente ao Ceará, pelo Vale do Crateús na Serra da Ibiapaba até então do Piauí. Utilizou-se enquanto fontes os periódicos A Imprensa e A Época, publicados entre os anos de 1880 e 1884 e que traziam transcrições dos discursos protagonizados pelos dois senadores, além das perspectivas dos Partidos Liberal e Conservador, principais grupos políticos no momento no Piauí, sobre a permuta. Indicou-se que a situação de litígio provocou não apenas embates entre o Piauí e o Ceará, mas entre as próprias elites locais, considerando as divergências entre os dois partidos no tocante à situação posta. Além disso, a partir da análise realizada foi possível perceber outras questões sensíveis que envolveram o litígio e foram importantes para a concretização da permuta, como a Seca e, especialmente, os desejos das populações locais.
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