A Mula de D. Pedro no Brado do Ipiranga: exaltação e depreciação na construção da memória histórica.
DOI:
https://doi.org/10.23927/revihgb.v.187.n.501.2026.259Palavras-chave:
D. Pedro, Brado do Ipiranga, mulaResumo
Nas recentes comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, a obra pictórica monumental denominada O Grito do Ipiranga, de autoria do pintor Pedro Américo, foi alvo de diversas críticas, com ênfase maior na representação da montaria em que fazia uso D. Pedro, ao propalar o brado de “Independência ou Morte”. A versão então divulgada, e presentemente aceita como correta, considera que esse animal não poderia ser um cavalo, conforme retratado na obra, já que na época em questão, ao se viajar de Santos a São Paulo, era necessário a utilização de mulas, por ser a única montaria capaz de galgar com segurança a acidentada trilha que serpenteava a serra de Cubatão. Em viés interdisciplinar com foco na relação natureza/cultura, nosso objetivo é demonstrar que essa revisão histórica se fundamenta em errôneos conhecimentos sobre utilização de animais de sela e equivocada interpretação das fontes documentais disponíveis. Ao ressaltar a sua natureza caricatural, e em razão de ter sido propalada com tanta ênfase, tanto no meio midiático como no acadêmico, consideramos que essa versão traz como objetivo maior a revisão da memória histórica da nossa Independência, por alteração do caráter memorialista de ênfase na exacerbação personalista e ufanista à memória, igualmente criticável, de caráter deprecativo.
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