Memória e História: o IHGB e o Arquivo Pessoal do General Osório
DOI:
https://doi.org/10.23927/revihgb.v.187.n.500.2026.295Palavras-chave:
Memória, Arquivo pessoal, Brasil ImpérioResumo
O artigo analisa a trajetória de formação, preservação e incorporação do arquivo pessoal de Manoel Luís Osório ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), problematizando os processos de construção da memória histórica associados ao personagem, a partir desse fundo documental. Desde sua fundação, o IHGB desempenha papel central na constituição de coleções documentais voltadas à preservação do passado nacional. O denominado “Arquivo General Osório”, composto por correspondências oficiais e pessoais, requerimentos, listas nominativas e documentos administrativos, constitui importante conjunto de fontes para o estudo das dinâmicas políticas, militares e sociais do Brasil Império. O texto examina, em particular, o processo de doação do acervo ao IHGB, ocorrido nas primeiras décadas do século XX, destacando o papel desempenhado pela família Osório na seleção, organização e mediação dos documentos antes de sua transferência institucional. A análise evidencia como filhos e netos do general participaram ativamente da construção de uma memória pública sobre sua trajetória. Assim, a constituição desse fundo documental não se restringe a um processo técnico de preservação, mas envolve disputas de memória, práticas de seleção documental e iniciativas de legitimação simbólica que contribuíram para consolidar a imagem de Osório como herói militar e personagem central da narrativa histórica nacional. A partir do exame da correspondência institucional, dos registros da doação e da organização posterior do acervo, o artigo discute as relações entre memória, arquivo e historiografia, evidenciando como arquivos pessoais podem ser compreendidos como construções históricas que articulam interesses familiares, institucionais e políticos na produção do passado.
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